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quarta-feira, 22 de junho de 2011

REDES SOCIAIS Por que os jornais temem tanto os jornalistas?

Do Observatório da Imprensa

Por Mário Bentes em 20/06/2011


“Regras de uso de Twitter a afins, criados por grandes conglomerados de comunicação, são a prova de que jornalista, se livre, é perigoso.”


A citação acima é de minha autoria e foi publicada no dia 17 de maio deste ano em meu perfil da rede de microblog Twitter. Tenho, no momento em que escrevo este artigo, 1.777 seguidores que acompanham tudo o que escrevo e repercuto a partir de terceiros, na mesma rede. Deste montante – muitos são jornalistas –, apenas quatro pessoas deram o chamado retweet, quando repercutem para seus próprios seguidores, na íntegra, uma dada micro-postagem. Das quatro pessoas que gostaram do que escrevi (os outros podem simplesmente não ter concordado, evidentemente), duas são jornalistas. Coincidentemente, ambos estão fora das redações dos “grandes conglomerados”.“Regras de uso de Twitter a afins, criados por grandes conglomerados de comunicação, são a prova de que jornalista, se livre, é perigoso.”
Mas será mesmo coincidência? Ou será que alguns jornalistas deixaram de concordar publicamente – aplicando o retweet – para evitar algum tipo de atrito com seus editores e demais chefes nos jornais onde trabalham? Levanto tal questão a partir do que creio ser uma modinha (alguns chamam de tendência) entre os representantes da “grande mídia”. Recentemente, alastrou-se pelos jornalões a prática de criar o que chamam de “regras de uso de redes sociais” para jornalistas. Resumindo, são coisas que os jornalistas “devem evitar” nas redes sociais, a exemplo do Twitter, Facebooke similares. Nos EUA, redações do Washington PostBloomberg e a agência de notícias Reutersestão entre os exemplos. No Brasil, FolhaGlobo e TV Recordseguiram o modelo.
A justificativa dos diretores e sócios destes veículos de imprensa é que, na ocasião de algum jornalista assumir alguma posição a respeito de algum tema, seja ele um partido, um candidato ou uma campanha, a credibilidade do jornal ou emissora ficaria ameaçada; ou que opiniões pessoais dos jornalistas sejam confundidas pelos leitores com a posição oficial do jornal. Isso para ficar nos argumentos mais usados. Mas será isso mesmo? Creio que o buraco é mais embaixo e esconde muito mais ou mesmo nada que esteja relacionado com mera preocupação com “credibilidade” do jornal ou do jornalista.
Concentração de mídia
Antes de falar especificamente sobre a mais nova modinha dos jornais, vamos deixar algumas coisas claras, para começar. Tal como a renda econômica, a concentração de mídia no Brasil é enorme. A esmagadora maioria dos jornalões de todo o território são ligadas a famílias “tradicionais” que, não raramente, estão ligadas a partidos políticos ou seus donos, geralmente “ricos” e ocupam cargos eletivos – o que contraria a Constituição Federal, que proíbe outorgas de rádio e TV para políticos.
Dados do portal Donos da Mídia mostram que existem, pelo menos até a ocasião da minha consulta, 41 grupos de abrangência nacional que, juntos, controlam 551 veículos de comunicação – jornais impressos, emissoras de rádio e TV, revistas, portais e agências de notícias. De acordo com a mesma fonte, os grupos de comunicação possuem 19.466 sócios, sendo destes 271 políticos. Este último número são os “caras-de-pau”, que colocam seus nomes nos contratos sociais das empresas sem se importar com a legislação – já que é o próprio Congresso, cheio destes políticos-comunicadores, que deveria atentar a isso. Mas o número é bem maior, se considerarmos a infinidade de sócios que são parentes ou têm ligações diretas ou indiretas com políticos – os carinhosamente chamados “laranjas”. Estes, com o perdão da piada infame, estão frutificando a cada dia.
O mesmo não vale para as rádios comunitárias, por exemplo. As outorgas dessa categoria levam anos para sair por conta de imensa burocracia e, enquanto as rádios não são legalizadas – apesar de prestarem importantes serviços às suas comunidades –, são taxadas de “rádios piratas”, capazes de derrubar aviões, ou estão a serviço do crime organizado, tráfico de drogas e outras sandices do discurso dominante. Para piorar, muitas das rádios que deveriam ser comunitárias, são “empossadas” por grupos de interesse privado ou mesmo por políticos de menor escalão (porém não com menor gana por poder e dinheiro), como vereadores de botequim e outros aspirantes a novos ricos do dinheiro fácil.
Resumindo: só quem se comunica massivamente neste país são os ricos e poderosos. Não se trata de discurso démodé ou de esquerdista – geralmente é taxado deste modo quem assim pensa. São os números e o contexto político do país que mostram, contra a vontade dos poderosos, que a grande maioria da população é ainda desprovida do poder de informar sua realidade sob a ótica de sua própria realidade, mas apenas pela visão quase unilateral da chamada “grande imprensa”. Entre parte da população não emancipada comunicativamente estão – vejam que engraçado – os próprios jornalistas. Sim, porque quem acha que um jornalista, por atuar em um jornal ou emissora, tem liberdade de expor tudo o que apura sob o viés que crê mais próximo do real, se engana.
Pluralidade de conteúdo
O material captado pelos jornalistas passa por um editor, por um editor-executivo, por um chefe de redação e, em alguns casos, pelo dono do veículo. E é bem comum que parte do material seja descartado por “questões editoriais”. Só quem é jornalista, e sabe de fato o que vê durante sua apuração, sabe que por aí caminha a mais pura e sem-vergonha farsa dos jornais: o filtro das notícias, ou de parte delas, também chamado de gatekeeping, é muitas vezes a desculpa cínica sincera para censurar o que os donos dos jornais acreditam que seus leitores não devam ver. Eles decidem, por tais “questões editoriais”, o que o público precisa ou não ter conhecimento. Para uma analogia perfeita, vejam (ou leiam) Cidadão Kane, de Orson Welles. (Muito além do Cidadão Kane é outra pedida, para o caso brasileiro.)
E assim, os jornalistas, desprovidos de meios próprios onde pudessem dar suas opiniões pessoais, foram reféns deste sistema durante muito tempo. Mas aí veio uma tal de internet que, ao contrário da lógica comercial natural da tecnologia dos grandes interesses industriais, acaba sendo mais democrática. E com ela, mais tarde, surgiram os blogs, as redes sociais etc. E como foi interessante a internet para os jornalistas! Aos poucos, criaram seus blogs, seus perfis no Twitter, Buzze Facebook, entre outros, e começaram a escrever. A novidade: sem os filtros dos editores, dos editores-executivos e, claro, dos donos dos jornais. E não é que isso incomoda?
Incomoda e muito. Os jornalões viram que os jornalistas, em seus espaços independentes, têm poder – ainda bem limitado e inferior, que fique claro – de, indiretamente, influenciar o público; de dar suas opiniões na grande rede e de dar outras visões, além da massificada pelo Jornal Nacional e similares. No Twitter, o público leitor acompanha os perfis da “grande imprensa”, mas faz questão de acompanhar os perfis particulares dos jornalistas. Até porque “informação”, como dizem, “nunca é demais”. Os jornalistas precisam dos empregos para sobreviver, não para agir como jornalistas. Mas os jornais precisam dos jornalistas para funcionar, independente de qualquer coisa. De qualquer modo, isso deveria ser bom, pois a multiplicação das fontes de informação, sejam elas empresas de comunicação ou pessoas capazes de bem informar (independente da formação em jornalismo), poderia garantir pluralidade de conteúdo. E o problema é justamente este: pluralidade.
A velha prática
Quando os jornalistas passaram a dar suas próprias opiniões sobre temas gerais, passaram – na cabeça comercial doentia dos patrões – a competir com os jornais, na medida em que forneciam conteúdo não necessariamente igual ao dos veículos onde atuam. Como já vimos, a maioria dos veículos de comunicação no Brasil (a situação fora daqui não é muito diferente) é ligada a políticos, portanto cheios de interesses comerciais e, claro, eleitorais. E os patrões passaram a ver como ameaça essa tal liberdade dos jornalistas. Livres, sem amarras, se tornaram perigosos para os negócios.
Quando os jornais, ao implantar regras de uso em redes sociais para os jornalistas que com eles trabalham, usaram o argumento que opiniões de jornalistas podem ser confundias pelo “público” como sendo as do próprio veículo, não tenham a menor dúvida: o público a que eles se referem são os seus clientes, aqueles que negociam “notícias imparciais” em troca de publicidade extra. O público que eles tanto fazem de conta defender não está na população, de fato. Aliás, o tal público leitor não é idiota, como os jornais fazem questão de acreditar ou de fingir que acreditam. O público sabe que jornalistas podem ter opinião própria, assim como sabe que jornalistas podem ser vendidos e opinar de acordo com que o chefe quer – inclusive de criticar os jornalistas verdadeiramente livres. O público só não é idiota.
Diante de cenário tão ameaçador – informações sobre muitos vieses, opinião própria, pluralidade de conteúdo e de análises –, os jornalões não tiveram dúvida em dar um basta nisso. Ora, esse samba do crioulo-doido, conhecido vulgarmente como democracia e liberdade de expressão, precisava parar! Essa anarquia de conteúdo, que comprometia e compromete o business e o establishment, devia ser detida. E os jornalões, que adoram falar de liberdade de expressão quando se sentem ameaçados por qualquer um que ouse processá-los por, por exemplo, quebrar seu sigilo fiscal – quando nem a Justiça o fez – ou condená-los por um crime sobre o qual nem sequer foram julgados, recorrem justamente à velha prática da censura.
A inconstitucionalidade das medidas
Não estamos falando de censura propriamente dita, às claras. Os manuais de uso de Twittere afins não dizem que jornalistas não podem usar as redes. Eles fazem pior. Os manuais “recomendam” a não manifestação de posições políticas e similares sob o argumento pífio, citado acima, de que tais podem prejudicar a “credibilidade” e “imagem” do veículo. Ora, não estando definido exatamente o que pode ou o que não pode, o que fazem os jornalistas? Calam-se de maneira abrangente sobre assuntos que tratariam normalmente e passam a falar de amenidades ou, em alguns casos mais extremos, optam por excluir-se das redes sociais. Afinal, diante de tanta subjetividade, quem garante que minha singela reclamação de um posicionamento político de um parlamentar da Indonésia não será entendida como subversão aqui no Brasil?
Aí entra o primeiro crime. Assédio moral dentro do ambiente de trabalho. Pode parecer interpretativo, mas eu, particularmente, entendo que a simples possibilidade de punição, ou mesmo a perda do emprego por algo não necessariamente definido claramente como desvio de conduta por parte do profissional, no caso o jornalista, pode e deve ser encarado como assédio moral. Trabalhar sob risco de demissão quando ajusta causa é, no mínimo, subjetiva, pode ser entendido assim. É uma espécie de chantagem com os trabalhadores.
O segundo crime é o da inconstitucionalidade das medidas. Está lá, na Carta Magnado país, que é direito de qualquer cidadão (jornalistas também se enquadram no perfil, queiram ou não os patrões) a livre manifestação do pensamento, independente de credo, religião, posicionamento político. Em outras palavras, é censura. O que os jornais fazem com os jornalistas hoje com as tais regras de uso não é nada diferente do que fazia o Departamento de Ordem Política e Social (Dops) no período da ditadura militar, só que sem tortura física. Usam do supracitado assédio moral e ameaça de demissão.
Direito para um, direito para todos
A Constituição, além de garantir liberdade de expressão, também fala em direito de ir e vir, acesso à educação, saúde e outros itens raros no mercado. Ela não diz que o cidadão da República Federativa do Brasil tenha que optar entre um e outro, mas diz que ele tem direito a todos eles. Portanto, o que peço aos colegas jornalistas é que, tal como preza a Constituição, não cedam à chantagem patronal e não optem pelo salário em troca de manter-se em silêncio e perder a liberdade. Não é fácil, posso garantir. Sei o que é ter a liberdade, sobretudo o emprego, sob ameaça dos interesses particulares.
Mas é importante deixar bem claro que, a partir do momento em que o cidadão livre, seja ele jornalista ou não, se deixar levar pela ameaça de perder um dos seus direitos garantidos há quase 30 anos depois de um período de sangue, suor e lágrimas, eles estará criando o caminho sem volta para que outros sejam retirados. E, de quebra, estará desonrando os que morreram em nome de tais direitos.
Com as “regras de uso” de redes sociais para jornalistas, os jornais, ainda que de maneira aparentemente não combinada entre si, acabam por criar, juntos, um momentaneamente heterogêneo Ato Institucional da Imprensa Nº 1(AII-1). Da forma em que as coisas andam, com os donos dos jornais cada vez mais inseridos no parlamento de Brasília e colocando seus interesses particulares e empresariais acima dos interesses públicos e coletivos, receio que não demoraremos a chegar no AII-5.
Afasta de mim, e de todos nós, este cale-se.
***
Importante: a liberdade de opinião e expressão na internet, em contrapartida à tirania da “grande mídia”, vale também para não-jornalistas. Existem muitos cidadãos que exercem outras funções durante a vida que não o jornalismo, mas que exercem papel fundamental de dar visões diferentes das massificadas pela imprensa corporativa. O artigo se concentra nos jornalistas por conta, especificamente, do assunto tratado, que são as famigeradas “regras de uso” das redes sociais – que não exercem impacto direto na atuação dos não-jornalistas.
***
[Mário Bentes é jornalista, redator, escritor e fotógrafo]

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Frustrante

"A falta de perguntas pelos jornalistas me frustra", afirma Bonner sobre último debate

Programa na TV Globo trará perguntas apenas de eleitores indecisos

No último debate das eleições 2010, o jornalista e apresentador William Bonner esclareceu, em entrevista ao Gaúcha Atualidade, algumas regras para o programa da TV Globo desta noite, após Passione. A principal, segundo ele: as perguntas serão feitas apenas por eleitores indecisos.

— As questões serão formuladas por eleitores, isso dá uma certa dramaticidade para o debate. A falta de perguntas pelos jornalistas me frustra (como profissional) — afirmou Bonner.

Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) vão para uma arena sem poder fazer perguntas um para o outro. As regras estabelecidas pela emissora preveem que apenas os convidados — todos selecionados pelo Ibope em diferentes Estados do país — farão questionamentos.

— Os indecisos formularam perguntas e as melhores, jornalísticamente interessantes, foram selecionadas. Estes vão participar do programa: teremos 80 indecisos selecionados e, destes, 12 vão fazer perguntas — explicou Bonner.

— Os candidatos terão uma tela e vão tocando em quadradinhos. Eles selecionam o indeciso e o eleitor fará a pergunta. Assim, o candidato 1 responde, o candidato 2 tem direito a réplica em cima da resposta dada, e o 1 terá um momento de tréplica — resume o apresentador.

O cenário do debate será uma arena, que facilitará a movimentação dos candidatos durante as respostas. Os eleitores indecisos estarão sentados em volta. O sistema foi usado em 2006 — quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin (PSDB) disputaram o segundo turno — e deixa os candidatos mais expostos.

Cada concorrente poderá ser acompanhado por até 11 assessores, sendo que apenas três deles terão acesso ao candidato no estúdio durante o programa. Além disso, cada um poderá convidar até 32 pessoas para a plateia. Ao término, os candidatos darão uma coletiva de cinco minutos na sala da imprensa. A ordem das entrevistas foi determinada por sorteio. Serra será o primeiro a falar com a imprensa, seguido de Dilma.

O último embate será transmitido pela Rádio Gaúcha. Da Central Globo de Produção, no Rio de Janeiro, os jornalistas André Machado e Felipe Chemale entrarão ao vivo durante a programação.
ZEROHORA.COM

Jornalista de GO que se demitiu ao vivo apresenta gravações que comprovam censura

Gravações apresentadas ao Ministério Público pelo jornalista Paulo Beringhs comprovam que ele foi censurado pelos diretores da TV Brasil Central, administrada pelo governo de Goiás. 

Na semana passada, o jornalista se demitiu, ao vivo, durante a apresentação de seu programa e informou aos telespectadores que fora proibido de entrevistar Marconi Peillo (PSDB0, candidato ao governo do estado que disputa a eleição com Íris Rezende (PMDB), apoiada pelo atual governador, Alcides Rodrigues, e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Há poucos instantes do programa do jornalista ir ao ar, Beringhs foi informado de que deveria cancelar a entrevista com Perillo, marcada para o dia seguinte. O apresentador contra-argumentou dizendo que Íris também tinha sido convidado, mas não compareceu por razões de incompatibilidade de agenda. Então, a entrevista com o candidato oposicionista teria sido cancelada por ordem da chefia da emissora. 

Antes de se demitir, Beringhs teve duas reuniões com representantes da TV. Na primeira, estiveram presentes assessores do presidente da Agência Goiana de Comunicação (Agecom), Marcus Vinícius Faria Felipe, e o diretor comercial da empresa de Beringhs, Luiz Fernando Dibe. Nesse momento, os funcionários da Agecom disseram ao jornalista que a entrevista com Perillo não iria ao ar. 

Segundo informa o site da revista Veja, caso o jornalista descumprisse a determinação, a TV Brasil Central simplesmente não iria veicular a entrevista. 

"Sugeriram que eu tirasse alguns dias de descanso, colocasse programas antigos no ar sobre música e amenidades. A linha deles é claramente tendenciosa a favor de Iris", declarou Beringhs. O jornalista disse, ainda, que depois do incidente a emissora teria ameaçado colocar pessoas de "confiança" na redação para acompanhar a rotina e autorizar entrevistas. 

Um dos orientadores de pauta seria o jornalista Eduardo Horácio, da Rádio 730, segundo Beringhs. 

Já na segunda reunião, ocorrida na casa do jornalista e gravada por ele, contou com a presença de seu colega de bancada na apresentação do programa, Cléber Ferreira, Luiz Fernando Dibe e Reginaldo Alves da Nóbrega Júnior, diretor administrativo da empresa de Beringhs, que presta serviço à TV Brasil Central.

Cléber Ferreira alertou o jornalista sobre as intenções dos diretores da TV. "Eu acho que a determinação é para te tirar do ar. Ou então para chegar e falar para você: "Não, agora vai ser assim", disse Ferreira na conversa gravada. No entanto, no dia em que Beringhs revelou a tentativa de censura, Ferreira negou, no ar, que estivesse a par do acontecido.    


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A censura se espalha no país

Pelo menos mais três Estados se preparam para criar conselhos de comunicação com o objetivo de monitorar a mídia, a exemplo do que já ocorre no Ceará. O governo de Alagoas, do PSDB, estuda transformar um conselho consultivo em deliberativo, com poder semelhante ao do cearense. No Piauí, um grupo de trabalho propôs a criação de órgão para, entre outras coisas, vigiar o cumprimento das regras de radiodifusão.
Na Bahia, o conselho pretende ser vinculado à Secretaria de Comunicação.


ISSO É CENSURA,  É INCONSTITUCIONAL.


ONDE FOI PARAR A LIBERDADE DE EXPRESSÃO???

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Faça o que eu digo, não faça o que eu faço!

RECLAMAR DE CENSURA ACHO JUSTO, MAS CENSURAR TAMBÉM, COMO ASSIM FOLHA DE SP????






Folha de São Paulo censura site que satirizava jornal


A Folha de S.Paulo conseguiu na Justiça retirar do ar o site de humor Falha de S.Paulo, que fazia sátiras ao tipo de reportagem publicada pelo jornal. Caso a página fosse mantida, os autores estariam sujeitos a multa diária de R$ 1.000, de acordo com a decisão do juiz da 29ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo. No processo, a empresa diz que o motivo da ação é o uso indevido da marca, já que os nomes são parecidos, mas, para os donos do site, trata-se de censura.

O jornalista Lino Ito Bocchini, que criou a página com o irmão, Mario, diz que a ideia surgiu da indignação pela postura da Folha, que “se diz imparcial, mas age assim”. Isso se intensificou durante o período eleitoral.

– Ao contrário do Estadão, que assumiu seu apoio a um candidato [José Serra, do PSDB], a Folha fica posando de imparcial, mas teve, sim, um candidato. Então resolvemos fazer uma crítica leve, bem-humorada. Em vez de agredir o jornal, decidimos fazer paródia.

O site tinha, por exemplo, um “gerador de manchetes”, em que o internauta conseguia montar a capa de seu jornal. De acordo com Bocchini, no dia da estreia, há cerca de três semanas, o site recebeu 3.000 acessos. Depois, dificilmente passava de mil. Por isso, ele considera que a reação foi “desproporcional com dois caras que estão fazendo uma brincadeira, uma paródia”.

– O que nos deixou um pouco chocados é que foi algo sem aviso, sem notificação anterior. Só ficamos sabendo quando um oficial de Justiça bateu na porta da casa do meu irmão.

Na decisão, que é liminar (provisória), o juiz diz que esta foi tomada “não pela sátira, que não é vedada, mas pelo fato da utilização de marca extremamente semelhante ao da autora [do processo]”.  Bocchini diz que ainda não decidiu se vai recorrer no processo, mas que “há interesse em fazer esse enfrentamento”.

– O site só volta para o ar se houver uma decisão judicial, já que eu não tenho R$ 1 mil por dia para pagar, então não posso correr esse risco. Mas o caso pode ser didático para outros blogueiros, mesmo que demore um ano para terminar. É um caso emblemático e outros blogueiros podem usá-lo para se ancorar, para ter liberdade. 

Em nota, a Folha diz que “decidiu entrar com a liminar para evitar o uso indevido de sua marca”.

–  O pedido deixa claro que o jornal não se opõe à sátira ou a críticas feitas pelo site, mas sim ao uso de logo praticamente idêntico ao seu e à reprodução de seu conteúdo editorial.